“Então o Senhor abriu a boca da jumenta, a qual disse a Balaão: Que te fiz eu, que me espancaste estas três vezes?” Nm 22:28
Há momentos na vida que ficamos confusos com certas situações inusitadas. E quando somos tomados de surpresa, chegamos a fazer caras e bocas, sem falar nas expressões como: 'Não me diga! Como? Misericórdia! Inacreditável!' Vira e mexe nos deparamos com fatos que só cremos porque vimos ou alguém de nossa confiança contou o que aconteceu.
No meio eclesiástico, acontecem, quase que diariamente, coisas sérias e, simultaneamente, espirituosas. Casos de “revelações”, “profecias” e “sonhos” que alguém, supostamente, recebeu de Deus. E aí começa o problema...a pessoa dorme de barriga cheia e tende a espiritualizar tudo na vida. Procura seu pastor para que “interprete” aquilo que não passa de pesadelo ou preocupações, e, não se dando por satisfeita com a orientação pastoral, “contrata” um “profeta” para que dê a interpretação de suas elucubrações metafísicas.
O resultado, nós já sabemos: meninices e distorções bíblicas, gerando uma confusão na mente de quem “sonha” e de toda comunidade da qual aquela pessoa faça parte. É aí que origina-se jargões como “vassoura de fogo”, “sapato de fogo”, “língua de aço”, “canela de fogo” etc. E para complicar ainda mais a situação, nascem as seitas e heresias, por causa da falta de conhecimento bíblico. O povo já não lê a Bíblia, e quando encontra alguém que a “interprete” a seu bel prazer, que produza “comichão em seus ouvidos”, pronto! Dar-se por satisfeito e enche a mente de supostas orientações espirituais.
Mas, como “não há nada novo debaixo do céu”, conforme escreveu Salomão, também encontramos histórias hilárias na Bíblia.
Longe de ser estórias infantis ou contos de carochinha, os fatos narrados no Cânon Sagrado estão carregados de lições práticas para lermos, observarmos e absorvermos. Quando não adotamos tal postura, vivenciamos as mesmas coisas e a vexação é inevitável.
Uma dessas histórias de deixar o queixo caído é a da mula de Balaão.
- O RESUMO DA ÓPERA
“O profeta Balaão é chamado por Balaque, o rei de Moabe, para amaldiçoar os israelitas. São-lhe oferecidas muitas riquezas para fazer isso. Balaão pede orientação a Deus e Ele lhe diz que não amaldiçoe o povo. Mas Balaão é ganancioso, e tenta a qualquer custo amaldiçoar o povo. A caminho para encontrar-se com Balaque, a jumenta de Balaão vê um anjo, mas ele não. Finalmente, o Senhor “abre a boca” da jumenta. Ela e Balaão mantêm um diálogo sobre ira e crueldade aos animais. Balaão vê o erro de suas atitudes e promete dizer apenas o que o Senhor lhe disser que fale. Finalmente, Balaão pronuncia três bênçãos, não maldições, e então é dispensado por Balaque.”
Contratado por Balaque para amaldiçoar o povo de Israel, Balaão teve uma surpresa que, sinceramente, pergunto-me: quem é a mula? E a conclusão a que chego que o "burro" profeta transcende a irracionalidade da sua mula, o animal.
- BALAÃO, “O ADVINHO”
“Ao contrário da versão Vulgata, as versões Árabe antiga e Etiópica, assim como nossas versões, trazem que Balaão (בּלעם) era filho de Beor (בּעור – be‛ōr), que era de Petor (pē´thor – פּתור – Φαθουρα). A Vulgata diz “Balaão, proveniente de Bosor” como sendo o lugar de onde veio. “Bosor” e “Beor” são os mesmos nomes, com uma diferença apenas de uma letra, צ para ע. Possivelmente morava no oriente (Mesopotâmia), um residente da mesma área geral da qual vieram Abraão e os magos dos dias de Jesus. Esta era a região em que Labão vivia e à qual Jacó se dirigiu para obter um esposa (Gn 29.1-35).
Balaão foi um adivinho, pagão, que vivia em Petor, cidade da Mesopotâmia (Nm 31.8), próxima ao rio (provavelmente Eufrates cf. Nm 22:5). Tinha o conhecimento de Deus, julgando que os próprios poderes dos adivinhos, profetas e poetas não denotavam fatores que lhe poderiam oferecer resistência. Balaão já havia conquistado Jericó e certas regiões dos moabitas.
- BALAQUE E BALAÃO - CONTRATANTE E CONTRATADO
“Balaão é uma das figuras mais curiosas da Bíblia. Tamanha era a sua fama que o rei Balaque de Moabe, ao enfrentar a chegada dos israelitas a caminho da terra prometida, mandou pedir ao vidente que lançasse uma maldição sobre os invasores para que os moabitas conseguissem derrotá-los.” http://unidosnosenhor.com.br
Se procurarmos, cuidadosamente, descobriremos que em nossos dias não faltam “profetas de aluguel” espancando “as mulas”, para locupletarem-se e satisfazer o ego e a ganância dos “poderosos”. Não é possível nos calarmos diante de tamanha aberração no meio do povo de Deus. A verdadeira palavra profética já nos foi legada nas páginas da Bíblia Sagrada. Obviamente, não estou dizendo que Deus não use pessoas para profetizar. Mas o padrão bíblico é o crivo por meio do qual devemos julgar as profecias e analisar os profetas.
O ofício de profeta encerrou em João Batista. “A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem forceja por entrar nele” Lc 16:16. Entretanto, tanto o dom de profecia (1 Co 12), quanto o ministério de Profeta (Ef 4:11,12), estão em pleno vigor na dispensação da graça.
O cenário que desenvolve a história da mula falante e um profeta desobediente está registrado em Números capítulos 22, 23 e 24. Para melhor compreensão do ocorrido, é preciso ler a Palavra de Deus e tirar suas próprias conclusões do que acontece com aqueles que buscam glória para si e desprezam os conselhos de Deus.
“O rei Balaque, de Moabe, ao enfrentar os israelitas no caminho da terra prometida, já sabia que eram muito fortes e o Deus todo poderoso era com eles. Foi a partir daí que o rei Balaque mandou chamar Balaão, para que fizesse um feitiço e derrotasse os israelitas. Porém Balaão não quis ir. Todavia Balaque mandou que chamassem Balaão mais uma vez, e que dessa vez lhe oferecessem muito dinheiro. Desta forma Balaão foi, com aprovação do Senhor, contanto fizesse o que lhe seria pedido.”
Balaão cedeu à tentação e por esta causa Deus permitiu que ele fosse com a comitiva enviada por Balaque, rei dos moabitas. A vontade de Deus, entretanto, seria revelada mais tarde quando a mula do profeta falou.
Balão foi espremido contra o barranco, cerca de três vezes por sua mula; ela tentava se desviar do anjo do Senhor, o qual se opôs a Balão por causa de sua insistência em seguir os príncipes de Balaque, rei dos moabitas. Somente na terceira vez, após ter espancado o animal, Deus abriu a boca da mula; esta começou a falar, reclamando por ter sido espancada.
Durante tanto tempo servindo a Balaão e sendo sua propriedade, a mula concluiu ser injusto apanhar por se desviar do anjo que tinha uma espada em uma de suas mãos.
O resultado foi que Deus abriu os olhos do profeta para que visse o anjo. A mula já tinha visto e tentava proteger-se, bem como poupar seu dono, o "burro" Balaão. “E, vendo a jumenta o anjo do Senhor, deitou-se debaixo de Balaão; e a ira de Balaão acendeu-se, e espancou a jumenta com o bordão. Então o Senhor abriu a boca da jumenta, a qual disse a Balaão: Que te fiz eu, que me espancaste estas três vezes? E Balaão disse à jumenta: Por que zombaste de mim; quem dera tivesse eu uma espada na mão, porque agora te mataria. E a jumenta disse a Balaão: Porventura não sou a tua jumenta, em que cavalgaste desde o tempo em que me tornei tua até hoje? Acaso tem sido o meu costume fazer assim contigo? E ele respondeu: Não. Então o Senhor abriu os olhos a Balaão, e ele viu o anjo do Senhor, que estava no caminho e a sua espada desembainhada na mão; pelo que inclinou a cabeça, e prostrou-se sobre a sua face. Então o anjo do Senhor lhe disse: Por que já três vezes espancaste a tua jumenta? Eis que eu saí para ser teu adversário, porquanto o teu caminho é perverso diante de mim: Porém a jumenta me viu, e já três vezes se desviou de diante de mim; se ela não se desviasse de diante de mim, na verdade que eu agora te haveria matado, e a ela deixaria com vida” Nm 22:27-33.
A ganância de Balão o levou a "vender-se", amando o prêmio que se lhe havia oferecido por Balaque.
Depois de tanta relutância, Deus permitiu que ele fosse com os príncipes de Balaque. Entretanto, ele não amaldiçoaria Israel, mas o que Deus colocasse em sua boca era o que falaria.
O resultado dessa experiência de um "profeta mulo", foi abençoar três vezes o povo de Deus. Balaque reclamou, mas não teve jeito. O profeta redarguiu, afirmando que "não poderia amaldiçoar a quem Deus abençoara. E ainda afirmou que "contra Israel não vale adivinhação e nem encantamento".
Ao que tudo indica, “Balaão dispunha de acessibilidade a Deus muito acima da média e tinha o desejo básico de ouvir a voz de Deus. Apesar da recaída que ocasionou a experiência da jumenta que falou (Nm 22.22-31), quando ele aceitou o convite do segundo grupo de emissários e foi até Balaque.
Balaão buscava a Deus e sempre que possível era flexível às ordens de Deus. Porém, há uma profundidade de percepção na transmissão das verdades que Deus deu a Balaão, o que indica que ele não era novato nas coisas profundas do Espírito.”
As credenciais de Balaão são mesmo impressionantes! Dificilmente alguém questionaria seu ofício profético, enquanto não examinasse, acuradamente, o outro lado da “medalha”.
E aí, está ligado? Fique ligado pois não demoro. O fuso-horário bagunçou um pouco a cabeça, mas já, já estaremos "tinindo".
Daqui a pouco estou de volta...